Devido ao momento em que vivemos, os dias tem se tornado cada vez mais cheios de ócio e tédio, o que me levou a fazer umas das coisas que mais detesto na internet, ler comentários de “haters”. Como se a vida já não estivesse angustiante o suficiente, a pessoa (inteligente) que aqui escreve teve a brilhante ideia de abrir o paraíso dos haters, também conhecido como Twitter.


Não me pergunte o porquê disso, pois não saberia responder, o que sei dizer é que me veio na cabeça de jogar na busca: “Meghan e Harry”. Talvez, inconscientemente pensasse que essa seria uma forma de matar a saudade de vê-los (mesmo com talvez fotos vazadas indevidamente, podem julgar). Devo admitir, essa ausência de notícias e de interação está a me deixar de coração partido. Pois bem, ao deslizar meu dedo sobre a tela e ler dezenas de comentários de todas as naturezas (que confesso, criei resistência a ponto deles não me abalarem mais), me deparei com um que me despertou a atenção. Não me recordo exatamente as palavras, mas ele dizia algo assim: “Meghan, a guerreira que resgatou seu príncipe da torre do castelo”.


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Tirando a boa dose de dramaturgia e de história de romance moderno, algo nessa frase boba me fez refletir sobre o recuo do Duque e da Duquesa de Sussex como membros seniores da Família Real Britânica. Não é novidade que o Príncipe Harry estava há muito tempo perdido em relação ao seu papel dentro da instituição. Que ele foi imaturo e irresponsável por algumas vezes no passado e que ele precisava da ajuda e parceria de seu irmão, o Príncipe William também não são fatos inéditos. No entanto, os últimos acontecimentos me trouxe um insight que não notei anteriormente, o William necessitava do Harry, assim como o Harry o necessitava. Por quê? Explico mais pra frente. O Harry dos últimos anos se mostrou mais maduro, mas ainda assim meio que inseguro, o que fazia de William seu conselheiro e talvez o “modelo” ideal a seguir. 


A chegada de Meghan muda tudo isso, Meghan é uma mulher forte, mais velha, atriz com carreira consolidada, inteligente, feminista, americana e birracial. Ela traz consigo uma bagagem imensa. E isso incomoda muito. Harry encontrou em Meghan a força e parceria que ele precisava, eles se encaixaram perfeitamente, seus projetos e visões de vida eram incrivelmente idênticos, apesar dos mundos absolutamente opostos, talvez, isso fez com que eles se apaixonassem tão rapidamente. O que “preocupou” seu irmão William, que o questionou se Meghan era a “garota certa” para se casar. O que me questiono é: será que a única preocupação de William era se Meghan era a mulher que faria seu irmão feliz, ou havia outras questões envolvidas?  Talvez o William achasse mais adequado escolher uma noiva “mais tradicional”, ao estilo da Catherine, a Duquesa de Cambridge, talvez ele se sentisse incomodado por ver o irmão escolhendo um caminho independente com a mulher amada e se desvinculando de sua sombra, afinal ele precisava da imagem inconsequente do Harry para sempre parecer o “correto” ou o irmão perfeito, o modelo a se seguir. Coisa do ego. Felizmente Harry estava decidido, Meghan era a sua escolhida e ninguém o faria mudar de opinião.


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Pensar nisso pra mim é algo totalmente desconfortante, apesar da mídia sempre especular notícias sobre discordâncias dos irmãos, não é uma coisa que queremos acreditar, pelo menos eu, preferi achar que era apenas mais uma invenção maldosa dos tabloides britânicos. O silêncio do palácio nos ajuda a acreditar nisso. E então começam os ataques contra Meghan, que antes achava ser somente da mídia do Reino Unido, infelizmente não era. Ler os trechos do livro do Omid e da Carolyn divulgados pelo The Times me trouxe profunda decepção. Hoje ver que eles passavam por tudo isso e sempre otimistas e seguindo em frente enfrentando tudo me comove muito, mas também me traz grande orgulho. Como disse, a Meghan incomodou muito, era inadmissível para alguns a sua presença no palácio, os termos “cadela” e “dançarina do Harry” são mais que cruéis! Todo esse ódio por puro racismo e sexismo não é algo que se espera que venha de dentro das paredes do palácio. Imagina o que foi para Meghan passar por isso? E imagina como foi pro Harry ser apresentado a essa desagradabilíssima experiência de preconceito? Mas eles seguiram adiante e enfim se casaram.


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E o que parecia que iria melhorar só piorou, eles não a aceitavam, era uma “Duquesa Difícil”. Por que Meghan era difícil? Por que passava relatórios para os funcionários do palácio às 05h da manhã? Claro que não. Meghan era difícil por que eles não admitiam que ela “se colocasse no lugar que ela deveria pertencer”, afinal quem ela achava que era? Uma birracial americana não pode chegar passando ordens dentro de um palácio, onde já se viu isso? Ao mesmo tempo em que isso acontecia a mídia a atacava de diversas formas, cada vez mais, e a posição do palácio se mantinha firme, sem comentários. Só tinha um problema para quem não aprovava o casal, eles eram extremamente populares, ao ponto de temerem que se tornassem mais populares que a própria instituição, o que gerou mais ego ferido, como relatado no livro do Omid e da Carolyn, disputas de ego eram frequentes entre os escritórios de membros da família.


Não é preciso dizer que com tudo isso, o preconceito, a falta de apoio e defesa da instituição em relação à mídia e as tentativas de freá-los para minar sua popularidade foram desanimando os Sussexes. Eles deram diversos sinais, de diferentes formas, eles estavam lá dispostos a fazer o que fosse necessário para dar certo, mas foram absolutamente ignorados pelo Palácio. O afastamento foi notório, Harry e William cada vez mais distantes, a “rivalidade” entre Kate e Meghan era cada vez mais especulada pela mídia, e sempre a culpa era de quem? Sim, da Duquesa de Sussex. “Ela afastou os irmãos”, “Ela fez a Duquesa de Cambridge chorar”, etc. Mesmo em meio ao escândalo de pedofilia envolvendo o Duque de York, Meghan era sempre o problema da família.


Eu achava que tinha noção do que os Sussexes estavam a passar, me emocionei demais ao assistir suas entrevistas no documentário da turnê pela África, mas após as revelações do livro, vejo que eles são mais guerreiros do que imaginava. Eles estavam muito descontentes, algo deveria ser feito. A minha visão da Família Real sempre foi mais de uma “família” do que uma “firma”. Hoje penso ao contrário. Harry e Meghan estavam absolutamente vulneráveis, sem apoio, sem defesa, sofrendo ataques e sem poder dizer nada. O papel da família nesse caso era fundamental, e nem precisaria muito, um convite para tomar um chá da tarde e conversar sobre as dificuldades, oferecer ajuda psicológica, um almoço juntos para fortalecer os laços, acho que pequenos atos como esses fariam toda a diferença, mas nada foi feito, os Sussexes estavam sozinhos e teriam que lidar com isso. Para mim, houve falha do Charles como pai, do William como irmão e da Camilla e Catherine também, pois apesar de não estarem diretamente ligadas ao caso, passaram e passam por abusos da imprensa e tinham experiência com aquilo, consolar e aconselhar a Meghan seria uma bela atitude de fraternidade e acolhimento.


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Mas, infelizmente nada foi feito, as queixas de Harry e Meghan foram desprezadas e o tratavam como “bebês chorões”. O resultado disso tudo foi o triste anúncio do dia 8 de janeiro deste ano. Pegou todos de surpresa, fiquei extremamente em choque e com incertezas com o que aconteceria em seguida. Acho que o termo correto seria tristeza mesmo, não fiquei bem e sabia que eles não estavam bem por terem que fazer isso, mas entendo que foi necessário. Como de costume a culpa caiu sobre Meghan. Eles sabem que a decisão foi do Harry, todos sabem, ele já estava cansado de passar por isso, ele viu sua mãe sofrer dessa forma e não podia deixar que isso acontecesse com sua esposa e filho. Agora eu volto lá no início do texto para o tweet que me chamou atenção, o Harry não teria conseguido sozinho, ele encontrou na Meghan o apoio que precisava, por isso a analogia da “guerreira que salvou seu príncipe” e talvez por isso a culpa mais uma vez recaiu sobre ela, pois é mais fácil culpá-la do que qualquer outra pessoa.


Eles se isolaram no Canadá e depois voltaram ao UK para cumprir seus últimos compromissos, era o momento ideal para a Família Real demonstrar apoio ao casal, mas ao invés disso, deixaram claro de uma vez por todas que eles estavam fora, os excluíram com total frieza, os tirando da procissão e os ignorando na Abadia de Westminster. Confesso a vocês, que ver o Harry que é sangue do sangue deles e a Meghan que abandonou toda a sua vida, deixou sua carreira no auge do sucesso, abdicou de seu amado blog, mudou de seu país e se mostrou disposta fazer tantas outras coisas em prol dessa família serem tratados como “dois ninguéns” foi revoltante. Não bastava toda a negligência? Não bastava desnecessariamente retirar todos os títulos militares honorários do Harry? Não bastava a humilhação que faziam com que a Meghan passasse? Que família é essa? Por que quando foi com o Duque e a Duquesa de Cambridge o palácio soube imediatamente se pronunciar contra a Revista Tatler dizendo que as afirmações sobre a Catherine eram falsas e que não existiam problemas entre a Carole (mãe da Catherine) e William? Por que o palácio soube negar que a Catherine tinha realizado procedimentos estéticos? E por que só o Harry e a Meghan tinham que aguentar calados todas as ofensas e mentiras? Lhe parece justo tais ações?


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Ao final disso tudo, sei que a escolha em renunciar aos cargos seniores foi a mais acertada possível. Apesar da Rainha Elizabeth II dizer que Harry e Meghan são muito bem vindos, acredito que essa é uma decisão sem volta. A Família Real Britânica perdeu a única chance em décadas de se reinventar e de se atualizar, perdeu membros extremamente populares e engajados na monarquia e parece cada vez mais ligada ao passado e ao retrocesso. Não aprenderam com a tragédia que aconteceu com a Diana, Princesa de Gales e demonstram não se preocupar com isso. Nessa “família” o que me parece é que só sobrevive quem não tem sentimentos, e assim eles seguem sendo seres frios e insensíveis, preocupados apenas com a própria imagem.


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Sobre o futuro de Harry e Meghan só vejo coisas boas, a popularidade deles segue em alta e eles estão dispostos e crescerem cada vez mais, mal posso esperar para o lançamento oficial da Archewell! Infelizmente temos visto ainda muito assédio da mídia em cima deles, mas agora eles possuem voz para se defenderem e não precisam seguir os protocolos determinados pelo palácio para decidirem qual ação tomar. Que eles encontrem a felicidade nessa nova trajetória tão nova para ambos.


Obs: Quero aqui deixar registrado que essa á apenas a minha opinião como seguidor (a)  do Sussex Brasil sobre os trechos divulgados do livro “FINDING FREEDOM” do Omid Scobie e Carolyn Durand. A equipe do Sussex Brasil não compactua com comentários de ódio e cyberbullying. O meu intuito é apenas fazer um desabafo pessoal sobre os acontecimentos. Este não deve ser considerado um texto base para tomada de conclusões, para detalhes dos acontecimentos sugiro que leiam o resumo dos trechos divulgados no The Times aqui mesmo no blog do Sussex Brasil. Aproveito para agradecer a equipe do Sussex Brasil por fornecerem esse espaço para esse desabafo.


Tudo escrito acima foi com as palavras de nosso seguidor (a) sem sofrer nenhuma alteração. O seguidor (a) em questão prefere se manter em sigilo.

Trechos do livro: Finding Freedom publicados pelo The Times - parte 1

Trechos do livro: Finding Freedom publicados pelo The Times - parte 2

Trechos do livro: Finding Freedom publicados pelo The Times - parte 3


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