Olhando para o nada, qualquer objeto, com os olhos fixos e se perguntando: “o que estou fazendo aqui? O que se passa comigo, com a minha cabeça, com os meus sentimentos e ninguém liga”. Eu sinto isso todos os dias.
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| Crédito: ITV |
Por mais que tenhamos muitas organizações que fornecem ajuda psicológica como o CVV, é difícil pedir ajuda e é difícil aceitar que você precisa de ajuda. Ficar dependente de remédios sempre foi meu maior medo, não queria acabar refém disso.
As redes sociais se tornaram um dos piores locais para estar presente se você não criar uma bolha e tentar ser saudável nela. Mas por mais que você faça isso, sempre terá alguém para furar a bolha e perturbar o seu sossego.
Muitos não sabem o que o outro está passando mentalmente, e como poderiam saber o que se passa na nossa cabeça? Neste ritmo frenético do quotidiano, é difícil distinguir quem sofre em silêncio e põe um sorriso no rosto todos os dias, fazendo palhaçadas, brincadeiras e piadas.
E sejamos honestos, a maioria das pessoas que perguntam se você está bem não querem saber a resposta honesta, elas querem a verdade maquiada e não estão dispostas a ouvir o motivo de você não estar bem, então é mais fácil dizer que “sim, eu estou bem”.
Para tentar superar esse sentimento de solidão, você manda mensagens, algumas bobagens ou até mesmo algumas histórias aleatórias que descobriu recentemente para discutir com essas pessoas, ou até mesmo cria contas no Instagram para se sentir ocupado e distrair a mente.
Mesmo que você faça isso pensando em simplesmente conversar, o retorno é direto: visualizado, mas não respondido.
Quando tentamos falar algo e os nossos sentimentos são reprimidos ou deixados de lado por aqueles em que confiamos o nosso desabafo com respostas como “é complicado” ou “é difícil”, nos fechamos e por mais que a próxima pessoa seja sincera em perguntar como estamos mentalmente é meio que automático guardar o que sentimos para nós mesmos. Você se isola.
Hoje, mais do que nunca, entendo o que Meghan falou quando disse que poucas pessoas perguntavam se ela estava bem em 2019 e em 2020, e como era um sentimento difícil. Você vai ficando em um lugar sombrio, onde sorrisos ficam vazios e sua luz some. Aos olhos do público “melhor do nunca”, no quarto escuro “quem sou eu e por que me sinto sozinho assim? Onde tá a luz e a felicidade? Vamos ser sinceros, ninguém se importa.”
Por mais que a sua rotina esteja corrida e seu amigo, pai, mãe, irmão ou quem seja queira falar a maior besteira do mundo, escute, responda e se interesse. Esse momento pode fazer esta pessoa ficar melhor, porque com certeza ninguém perguntou sinceramente se ela está bem.
Pergunte a todo mundo que você conheça se essa pessoa está bem e peça para ser sincera. Ignorar, invalidar o sentimento não é o caminho certo.
Espero que vocês estejam bem. E eu? Estou tentando.
escrito pela adm do sussex brasil
